Família de piauiense atropelado em Camocim vai contratar perícia para determinar velocidade do carro no momento do acidente
A família de José Arnaldo de Jesus Moreno, conhecido como Tio Moreno, que morreu após ser atropelado no litoral do Ceará vai contratar perícia para determinar a velocidade do veículo de passeio de atingiu o piauiense. Ele foi atropelado em frente a pousada em que estava hospedado, com membro da Igreja do Cristo Rei, no dia 22 de setembro, na cidade de Camocim, localizada a 395 quilômetros de Teresina. Uma câmera do circuito interno de segurança de um imóvel situado na avenida Marilago flagrou a violência do acidente.
Tio Moreno era tesoureiro da Paróquia do bairro Cristo Rei e foi um dos fundadores do grupo de Encontro de Jovens com Cristo (EJC). Ele viajou ao litoral do Ceará na companhia da esposa e de outros membro da paróquia. No momento do acidente, ele e outros amigos estavam carregando as malas do grupo para o ônibus que estava estacionado, do outro lado da avenida, diante da pousada em que ficaram hospedados.
A filha do contador, Letícia Moreno, falou com o Cidadeverde.com e disse que o pai estava carregando as malas de senhoras que integravam o grupo, para que elas não precisassem atravessar a via carregando peso. A família acompanha de perto a investigação e questiona a demora na conclusão do laudo da perícia.
“O laudo do local do acidente demorou mais de 60 dias para ser concluído. O laudo cadavérico, que era para sair em 10 dias, também até hoje não foi concluído. Abrimos chamado na ouvidoria da Polícia Civil do Ceará questionando essa demora. Também fizemos pressão ligando para lá, praticamente, todo dia e, ainda, assim foi essa demora absurda”, disse a filha da vítima.
O laudo do local do acidente diz que o veículo estava em “alta velocidade” no momento do acidente, mas não determina a velocidade praticada por ele no momento do acidente. Familiares e amigos da vítima disseram que o velocímetro do carro estaria travado em 160 km/h no momento do acidente, mas essa imagem não consta no laudo da perícia.
Em seu depoimento, o condutor do veículo disse à polícia que estava dirigindo a cerca de 50 km/h. A velocidade máxima permitida na via é de 60 km/h. Ele disse ainda que almoçou em uma barraca no Lago, na companhia da esposa e dos dois filhos. Afirmou que não ingeriu bebida alcoólica e nem fez uso de entorpecentes. Perguntado em que barraca almoçou, ele disse não se recordar o nome do estabelecimento.
Ele afirmou, ainda, que no momento do acidente a família estava regressando para casa. Segundo ele, o pedestre teria atravessado “em cima do seu carro” e ele não teve tempo de frear.
“Isso a gente não vai aceitar nunca, porque meu pai foi a vítima. Ele estava numa excursão da Igreja, que todo ano, ajudava a organizar. Estava levando as malas das senhorinhas para que elas não precisassem atravessar carregando peso. Estava fazendo o bem, como ele sempre fez, e o caminho dele cruzou com o de um irresponsável. Não podemos, jamais, deixar que ele sai disso como se nada tivesse acontecido, como se ele não tivesse feito nada”, desabafa.
A família questiona essas informações. Letícia Moreno disse que além da perda prematura e brutal do pai, a família ainda teve que lidar com comentários que diziam que a vítima estaria alcoolizada ou que teria provocado o acidente por atravessar a via sem atenção. Para a família, a demora na conclusão dos laudos está beneficiando o condutor do veículo.
“É uma cidade pequena e praiana, ele é bem conhecido no local e tememos que isso possa beneficiar ele de alguma forma”, disse.
Tantos os policiais que atenderam a ocorrência, quanto o laudo da perícia afirmam que não havia marcas de frenagem no local do acidente. A família acredita que o condutor só parou quando percebeu que a vítima estava presa no para-brisa traseiro do veículo.
O condutor se recusou a fazer o teste do bafômetro. Em depoimento, ele disse que havia consumido bebida alcoólica no almoço, no dia anterior, e temeu que isso pudesse aparecer no teste realizado 24 horas depois. Os policiais que atenderam à ocorrência disseram que “visivelmente não conseguiam constatar se o condutor do veículo ingeriu bebida alcoólica”.
A conclusão do relatório da polícia civil diz que o condutor “agiu com desprezo às normas de trânsito e mesmo que não quisesse o resultado, assumiu o risco de produzi-lo, agindo assim com evidente dolo eventual”.
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